sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

54

Acho que estou a precisar de ir descansar. Vou para o meu quarto,

que sei perfeitamente onde fica.
Lembro-me de outrora ter escrito livros, de ter
falado de bosques.
Agora só tenho no meu quarto
um armário cheio de pequenas gavetas,
fechadas por alguém ou por mim há muito tempo.
Um solitário feixe de luz incide no armário,
parece vir enfeitado de lampadazinhas coloridas,
conhecidas também por colours of the rainbow.
Naquela gaveta poderá estar um perfil de telhados – silhueta trespassada
pelo grande sol frio do fim da tarde.
Lembro-me de outrora ter falado de bosques…
Naquela gaveta poderá estar o espelho longevo
com seu insubstituível reflexo de divisões infantis.
Quatro ou cinco gavetas terão uma praia
que se estende com a luz matinal
a varar as distâncias.
Outras terão as abas dos guarda-sóis
com o som que fazem quando lhes dá o vento.
Tenho um armário com as imagens separadas
que tão a sós não fazem um poema.
A perenidade ao sol
de Françoise a beber o mazagrin
também deve estar em alguma gaveta.
Não faço ideia da gaveta em que estará a tarde
que decorre com esplanadas ao fundo
e onde tudo quanto se move
é descontracção e alegria.
Fátima oferece-me água da Serra da Penha
numa gaveta que exista e que seja secreta.
Em que gaveta estará o menino a lamentar-se aos pais
por o caranguejo que apanhara
já não estar no balde que trazia?
Françoise bebe agora um cocktail, talvez de ginger ale.
Mas não sei em que gaveta. Se bem me recordo, contemplava um soleil couchant,
kitsch, ele também, por sua vez, mas lindo até ao fim do mundo.
…………………………………………………..
distantes margens delineando a noite,
pontilhadas por pequenas iluminações esparsas
que parecem só existir assim, vistas de longe.
Dentro desta gaveta estou eu com dezassete anos, no pinhal ao sol,
com duas latinhas de lulas e a minha ideia de poesia.
Aquela gaveta, que parece mais privada,
seria a que as mulheres daquele tempo escolheriam
para retocar nos lábios o bâton cereja.
E nesta, mais notória,
estarão os cães a ladrar e a caravana a passar.
Tenho ideia de que será nesta gaveta – bem, ou talvez nesta –
que se poderá encontrar Françoise
a soltar o seu cabelo castanho de francesa.
Mas, por exemplo, não faço a mínima ideia
onde possa estar a brisa suave que ameniza a temperatura de Agosto,
nem a gaveta que guarda o relógio que nunca pára
e que agora, muito naturalmente, assinalará as banalíssimas onze da manhã.
É provável que no armário já não exista nenhuma gaveta
com o entusiasmo do mar sobre os penedos. É provável que já não haja
nenhuma gaveta vaga para a senhora de apelido Araújo
e para as palavras límpidas que de olhos nos olhos dissemos,
enquanto – na voragem exterior a nós – lhe dedicava um livro
e lhe entregava nesse olhar os meus últimos feixes
de vitalidade, os meus mais raiados votos de que fosse feliz.
Não mais a verei, amável senhora,
inteligente e bonita senhora sensível. Não mais a verei,
e vim para esta casa com essa amargura.
Porque penso que a poderão interessar, procure as palavras
de Isabel Rio Novo sobre a Dimensão Fantástica.
Presumo que as encontrará com facilidade nos recentes dispositivos tecnológicos.
E procure também a própria Isabel Rio Novo; encontrá-la-á
ao seguir pela escada que dá para o lado do mar.
Senhora de apelido Araújo, esta foi a forma que tive de comunicar
consigo. De lhe dizer que acredito em si. De lhe dizer
que acredito na Nova Mulher, com a Qual (movimentos democráticos
de cariz feminista) me estanciei no lindíssimo período da minha mocidade. Essa [Mulher
é ainda hoje a minha Mulher favorita. E agora, desta vez, sugiro-lhe
que procure Ana Luísa Amaral, encontrá-la-á com facilidade onde estiver a [acontecer
a boa educação.
Mostre a sua existência, caríssima senhora Araújo, mostre o seu valor,
mostre que não é uma metáfora deste texto. E exista tal qual é,
ouça, tal qual é, não pusilânime, não petulante feita à pressa, não solerte
miserabilista, não carneirinha da manada, e sabendo
– como bem o sabe – que o azedume não é sinónimo de raciocínio,
antes sim, como facilmente se compreende
(só os próprios azedos não o compreendem por nada saberem raciocinar),
sinónimo das próprias frustrações.
esta foi, bela senhora de apelido Araújo, a forma que tive de comunicar
consigo, a forma que encontrei para lhe poder dedicar as duas próximas estrofes.
Crianças de aldeias, crianças a quem na infância acenei
do vidro traseiro do automóvel rápido
e que ficaram pelos caminhos a brincar ao verão,
sem que para isso precisassem de conhecer praias.
O que foi feito de vós?
O que fizestes aos vossos sorrisos puros?
Como eu gostava que a minha vida vos tivesse oferecido uma gaveta!
Choro agora de tantas saudades por tão breves instantes.
Raparigas contentes em suas roupas claras,
em suas roupas claras sobre os seios que cresciam,
amei-vos sem nunca mais vos ver,
amei-vos por nunca mais vos ter visto,
amei-vos intensamente, como a qualquer coisa que se desprende
e se perde da nossa lembrança de saber o quê.
Em mim ficastes a pertencer às distâncias cheias de luz,
diluídas agora, e ainda mais, pelas minhas lágrimas.
Neste momento, tardio, em que é de mim que me despeço,
entregar-vos-ia, no melhor gesto da vida, o meu armário todo.
A baleia encalhada deve estar nesta gaveta maior,
e nestas ao lado estarão as pessoas transportando água do oceano
para lhe verter no dorso.
Se de facto é nesta gaveta maior que está a baleia,
é por aqui que está o marinheiro da luz pálida e molhada,
a comunicar que mais nada se podia fazer;
a baleia tinha morrido.
Lembro-me de um dia ter escrito livros, de ter
falado de bosques.
Agora só tenho no meu quarto
um armário cheio de gavetas
fechadas por alguém ou por mim há muito tempo.
Um armário com imagens separadas
que tão a sós não fazem um poema.


Daniel Maia-Pinto Rodrigues in, A Casa da Meia Distância

A Casa da Meia Distância

No passado dia 10 de Fevereiro foi lançado o novo livro do Daniel: 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Foto Biografia

1961
Com a mãe, foto colorida pelo pai


1962 com 18 meses

1966 com o pai


1967


Com a irmã aos 6 ou 7 anos


1969 com a mãe e a irmã


1973 com 13 anos


1979 com 19 anos


1982 com 22 anos


1988 com 28 anos


1991 com o filho


1991 com 31 anos


1994 com 34 anos


1995


2000 com 40 anos


2009 com 48 anos


2009





Daniel por Daniel


“De mim, eu direi o seguinte: divorciado. Casei em 1984. Em 1986 nasceu o Daniel Henrique, o meu único filho. As zonas mais sossegadas do paranormal – ou seja, as menos “espampanantes” e menos “parolas” – e, também, o automobilismo e a música acompanham-me há longo tempo, como motivos onde descubro interesse. Também aprecio o futebol, o atletismo, os documentários televisivos, o culto da memória, os jogos RPG para consola, o coleccionismo (sobretudo os que se debruçam sobre a Natureza), a preservação dos objectos. Quando votei, votei sempre na esquerda.”

Julho de 2009, Daniel Maia-Pinto Rodrigues

In, Página Literária do Porto

As Obras de Daniel

POESIA

Dióspiro. Poesia Reunida 1977-2007
Quasi Edições, 2007
Antologia que reúne, em "versão definitiva", poemas, alguns inéditos, dos primeiros trinta anos de vida literária do Autor, seleccionados e organizados por Luís Miguel Queirós e José Carlos Tinoco. Contém uma nota introdutória autógrafa e um ensaio de Rui Lage.



Malva 62
Quasi Edições, 2005
De acordo com Manuel António Pina, no posfácio deste volume, "Poucas poesias têm, como a do Daniel, o poder de, ao mesmo tempo, sobressaltar e enternecer, convocar e surpreender, constantemente dar e tirar ao leitor de versos a história e a convicção do poético que, parafraseando O'Neill, ele já traz engatilhadas".



A Sorte Favorece os Rapazes
Fundação Ciência e Desenvolvimento/Teatro do Campo Alegre, 2001
Pequenas histórias em verso, nas quais, supostamente, a sorte favorece os rapazes. O sexo, o adultério, os preconceitos contra as mulheres e outros assuntos tipícamente masculinos são desmontados pelo humor e (auto-)ironia de um sujeito de enunciação afinal frustrado por encontros amorosos não consumados e pela nostalgia de um passado irremediavelmente perdido.



O Afastamento Está Ali Sentado
Quasi Edições, 2001
Antologia poética, cujo título prefigura a atitude dúplice que o sujeito de enunciação assume perante o real, de que se constitui simultaneamente observador atento e distanciado, mas também agente transfigurador, por via da rememoração e do sonho, configurando um universo poético sensorial, misterioso e fantástico.



O Céu a Seu Dono
Edicións Positivas, 1997
Daniel Maia-Pinto Rodrigues em co-autoria com João Gesta



O Valete do Sétimo Naipe
Felício Cabral Publicações, 1994



A Próxima Côr
Pinguim Poesia Bar, 1993


Conhecedor de Ventos
Associação de Jornalista e Homens de Letras do Porto, 1987
De acordo com um dos paratextos da obra, assinado por Carlos de Sousa, este livro é de um "poeta que aceitou o repto mais violento e urgente que se coloca ao Homem de hoje: a fidelidade à vida. É um alerta de um conhecedor de ventos, lúcido e corajoso, contra o caos e a destruição".



Vento
Edição de Autor, 1983


ROMANCE

O Corredor Interior
Clube Literário do Porto, 2006
Único romance do autor, incorpora vários elementos do seu imaginário poético. Enveredando ostensivamente pelo domínio do fantástico, a obra apresenta, na concepção das personagens, dos espaços e da intriga, uma estrutura simbólica e faz apelo a uma compreensão metafísica da realidade. Foi considerado por Mário Cláudio um dos 5 melhores livros editados em Portugal em 2006.


NOVELA

Diabo Tranquilo
Campo de Letras, 2004
Daniel Maia-Pinto Rodrigues em co-autoria com Isabel Rio Novo
O Diabo Tranquilo é uma novela, próxima do género fantástico, composta por quatro narrativas que, embora aparentemente autónomas, possuem simetria e encadeamento. As narrativas encontram-se estruturadas pela sucessão das idades do homem (infância, juventude, maturidade, velhice), alegorizadas também na sequência das estações do ano (Primavera, Verão, Outono, Inverno). Ao longo delas, prevalece o tema da viagem, do homo viator, no espaço e, simbolicamente, na vida. Assim, todas as personagens empreendem uma viagem talvez sem regresso, que impõe o afastamento da estabilidade e o princípio da inquietação, deixando para trás um espaço de tranquilidade, de conforto, de sorrisos familiares.

Informação retirada da Página Literária do Porto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um Café - Abril 2008

Dióspiro
Poesia Reunida 1977-2007
Autor: Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Selecção e organização: Luís Miguel Queirós e José Carlos Tinoco
Editora: Quasi
Daniel Maia-Pinto Rodrigues – Imaginação e Memória

Descendente, por parte do pai, dos Condes de Botelho e da brasonada família Correia Mourão, bisneto por parte da mãe, do republicano e democrata Coronel Maia Pinto.

É assim o primeiro contacto com o poeta para quem começar a ler este livro pela badana. O bisavô José Teixeira Rêgo, e os seus tios e primos Arnaldo Gama, Conde de Paço d´Arcos, Anrique Paço d´Arcos, Joaquim Paço d´Arcos e Carlos Malheiro não estão aqui para convencer o leitor que Daniel Maia-Pinto Rodrigues não é nenhum badano. Este desfiar de antepassados ilustres não é um mero exercício de pedantismo heráldico, mas antes um exercício de memória, essencial para a sua poética e para a sua vida. Juntamente com a imaginação, a memória é um conceito chave para iniciarmos a digressão pela obra de Maia-Pinto Rodrigues.

Dividido em duas grandes partes (só) aparentemente antagónicas, Contemporaneidades e O baú em quebra-luz, a ordem que se escolher para ler este livro influenciará a percepção geral que se tem da obra e do seu autor. “Eu sou o escritor do baú em quebra-luz, o outro é um repórter da realidade.” O escritor do baú envia esporadicamente ao mundo um outro-eu, descosido da sua identidade real, com o intuito de observar, relatar e esbofetear na cara a realidade mesquinha, chatinha, comesinha, coitadinha. “As diversões do mundo real não me interessam. A pequena tristeza, as pequenas lamúrias, os pequenos ciúmes. A realidade (leia-se contemporaneidade) não é o sítio ideal para escrever poesia. Interessa-me o quietismo, a luz parada, o grande sossego, esse nowhere da realidade.” Interessa-lhe o baú, portanto. E é para o quietismo do baú que o enviado de Daniel à realidade leva notícias, “o pulsar da vida de cá”, que são depois trabalhadas pela personagem primeira que escreveu os poemas do baú em quebra-luz, no baú em quebra-luz. “Ter ficado parado no tempo é profícuo à poesia.”

Daniel não rejeita o real, antes o usa para construir uma realidade ainda mais real, um supra-real cuidadosamente moldado pelas ferramentas intelectuais que escolheu para esse trabalho: memória e imaginação. Estas são as ferramentas que guarda dentro do seu baú, sendo o silêncio e a luz o seu atelier, o espaço ideal, onde o poeta forja a sua realidade ideal. “A minha identidade está preservada na memória, no baú”, diz-me. “É aí que está a luz que me interessa. Não o néon, não aquele amarelo enfermiço, mas o amarelado confortável. É nesse baú em quebra-luz que me encontro”.

Vamos ver como falam estas duas personagens, o enviado e o poeta. Diz-nos, o enviado de Daniel no último poema de Contemporaneidades: “Devagar apenas um se repete/ E chora/ É um rapaz sozinho/ O amor de um rapaz sozinho/ A perfeita pintura de um rapaz/rapariga ágil /Não há mais ninguém/ Nas esquinas dos seus olhos/ Deixem-no ir é um estranho/ Terá o seu tempo a sua oportunidade/ Há-de conseguir imaginar viver.” (p.186)

Há-de conseguir imaginar viver. Como um noviço em vésperas de entrar para a reclusão de um mosteiro, adivinha-se aqui uma preparação do poeta prestes a entrar no baú e desligar-se do mundo. Uma decisão radical de quem tomou consciência de que a vida imaginada é a única que vale a pena ser vivida e, por isso, decidiu ser poeta de corpo inteiro. E sendo que a imaginação trabalha a partir da memória, a experiência da memória é uma experiência de vida.

Uma vez já dentro do baú, o poeta fecha a tampa à realidade não filtrada pela imaginação e diz-nos: “Aquele animal/ por mais que contorne a lagoa/ nunca chegará até nós. / Eu e tu é que ficaremos sempre/ um com o outro. (p.228) A realidade nunca chegará até Daniel Maia-Pinto Rodrigues, ou não tivesse sido sempre o seu grande projecto, ele que odeia projectos, “que o mundo não me mudasse a mim.” (p.170)

Nota: Já tinha acabado de escrever esta crónica, já estava ela prestes a entrar no prelo e ocorreu-se-me que quem eu entrevistei no Café Slávia numa quarta-feira à tarde, quem me ofereceu um exemplar autografado de Dióspiro e escreveu nele algumas palavras simpáticas, não foi Daniel Maia-Pinto Rodrigues mas sim o seu enviado especial à realidade. O verdadeiro Daniel, esse “mafarrico”, nem sequer saiu de casa, do baú, ou donde raio é que ele se esconde. Já não vou a tempo de rescrever esta crónica, os rolos da rotativa já devoraram metade do meu casaco, mas quando nas páginas de Dióspiro encontrar aquele corrimão que desce ao seu encontro, dir-lhe-ei umas quantas coisas acerca de combinar entrevistas e não aparecer. Até lá... bem hajas Daniel por não existires no meio de nós.

Tomás Magalhães Carneiro, Artigo retirado da revista Um Café

Entidade Nocturna

Aí por alturas de um ciclo de conferências
fui ver uma exposição de pintura
à Fundação Engº António de Almeida
onde vim a travar conhecimento
com uma jovem timorense
que vivia na Maia há um ano e meio.

Ora, eu, talvez por ter chamado a atenção da jovem
rapidamente fiquei a par
das causas do povo maubere.
O fim da tarde estava frio
e apesar de me sentir constipado
prestei-me para o que desse e viesse.

Fomos jantar a um restaurante chinês.
Ela era bonita e, já se vê, um pouco escurita.

Combinámos ir no fim-de-semana seguinte
a um tal sítio que ela conhecia
não sei quê de um lago, não sei onde
à beira de um pinhal.
Enquanto aplicava uma expressão de interessado
eu ia pensando é se aquilo não seria mas é um truque
ou coisa assim.
Pergunta-me ela, então:
"Tu não tens medo do Black Jumento, pois não?"
"De quem?"
"Do Black Jumento!"
O Black Jumento, explica-me ela, é uma entidade nocturna
que aparece nas margens dos lagos
quando se apercebe que há romance no ar.
Ó diacho, isto está a ficar complicado, pensava eu
enquanto sorria e arregalava os olhos.

No fim-de-semana combinado
fomos no carro dela
por uns sítios que não sei bem
onde eram, mas, de facto
lá acabámos por ir dar a um pinhal.
O dia estava bonito. Uma luz coada
pairava sobre os pinheiros.
Fizemos um piquenique
e sentíamo-nos bem.
As horas corresponderiam às do Princípio da Tarde.

Depois de quase termos adormecido
fomos dar um passeio.
Era tudo indistinto, aprazível, refractado.
Um vento suave agitava as árvores
eu sentia regressos, luzes, descontracções
e de uma forma desfocada e quase súbita
avistei um lago.

Olhei para ela de repente
e ela, doce, olhava para mim.
O dia mergulhou no lago
e ela, doce, olhava para mim.

Eis se não quando aparece o Black Jumento.
"Desculpa lá, ó Black Ju... Jumento
tu, para além de seres nojento
podias ter aparecido noutro momento."
O Black Jumento, sem se desmobilizar
e não pensando ele noutra coisa
apressado a tirar os calções.
"Ó Jumento, mas qual é a tua ideia, meu?!"
"A minha ideia é que tu me dês o que pensas que é teu!"
"Espera lá - disse eu - não me são estranhas essas tuas patas..."
"Ó português, meu trengo, não vês que sou o Ali Alatas!"

Daniel Maia-Pinto Rodrigues, in Dióspiro